Translate

sábado, 1 de junho de 2013

Adriana e Antonio: Um Casal Perfeito

      Adriana, naquele começo de noite, estava ansiosa, impaciente, invadida por uma sensação de desejo, vontade de entrega. Estava realmente querendo entregar-se ao prazer. Faltava pouco. Logo iria encontrar seu fruto proibido, seu amante. Já tivera tantos, mas achava, este era especial. Ela sempre pensava assim. Assim como todos os anteriores, em seus devidos tempos. Escolheu sua lingerie mais sexy. Estava casada, com Antonio, há cinco anos, seu segundo casamento. Por ele sentia amor, pelo menos achava. Além de segurança conjugal, ele era um homem trabalhador e preocupado com o futuro deles. Enfim, uma boa vida. Por Carlos, o atual amante, sentia paixão, desejo, sentimento de fêmea no cio. E com ele alcançava o prazer. Estava com 30 anos, corpo perfeito, alta, 1,78, cabelos lisos, loiros e longos, lábios sensuais, grandes olhos verdes e penetrantes. Era uma daquelas mulheres que todos os homens, quando veem, desejam. Sem dúvida, uma mulher linda e sabedora de suas qualidades. Em seu primeiro casamento, descobriu que uma vida dupla tinha mais sentido e era possível. Acreditava que depois que se conhece os prazeres do inferno, o céu perde o interesse. Para Antonio, uma mulher acima de qualquer suspeitas. Para ele, Adriana era companheira, sincera e, acima de tudo, fiel. A esposa perfeita. Coitado. Pobre Antonio. Mas só poderia pensar assim de sua amada esposa, pois ela sabia como fazê-lo acreditar nela. Seus pulinhos de cerca eram bem planejados, nos mínimos detalhes. E ele, ingênuo, se sabia de alguma mulher que havia traído seu homem, contava para ela e dizia que tinha uma sorte danada ter uma mulher tão linda e fiel. Quando ouvia isso, Adriana exaltava as qualidades frisadas por ele. Dizia, viu você que é feliz por ter uma mulherzinha assim, só para ti, meu amor. Antonio fazia o tipo metido a certinho e metódico. Faziam amor, pelo ritmo dele, uma vez por semana. Não possuíam filhos. Ambos trabalhavam o dia todo e estudavam à noite. Cada um em uma universidade diferente. Nas matadas de aulas, Adriana fazia aquilo que adorava e lhe dava um imenso prazer: trair Antonio. No prédio em que moravam, certo dia, ao ver Carlos, morador do andar de baixo, no elevador, sentiu por ele uma atração, um desejo incontrolável. Trocaram muitos olhares nos corredores e no elevador os olhos se encontraram bem próximos várias vezes. Meses depois, sem medo de ser feliz, a abordagem partiu dela. E, desde então, pelo menos em um dia de aula e outro se encontravam. Algumas vezes, por determinação dela, os encontros avassaladores ocorriam no próprio apartamento dele. Carlos morava sozinho, tinha 40 anos e vinha de um casamento fracassado. Ele sentia estar apaixonado por Adriana, perdidamente, e acreditava que ela correspondia. Pensava ser ela uma mulher com um casamento infeliz, do qual não tinha coragem de se libertar. Mas, que ele ia acabar encorajando-a a ficarem juntos. Adriana terminou de se arrumar, deu uma última olhada no espelho. Saiu, fechou a porta de seu apartamento, olhou para os lados e sorriu. Ninguém à vista, entrou no elevador. Apertou o botão do terceiro andar. Ao chegar lá, quando a porta do elevador abriu, mais uma olhada para todos os lados, ninguém por ali. Apertou o passo até a porta do apartamento de Carlos, que não estava trancada, entrou. Na sala, iluminação difusa, aconchegante, som romântico a banhar o lugar. Um convite para que ela se soltasse e se sentisse poderosa. Carlos que estava sentado no sofá, levantou- se foi até ela e a envolveu em seus braços.
       - Estava com saudades de ti meu amor.
      - Eu, mais ainda, como é bom estar aqui com você. Não via a hora de vir. Acredita que Antonio me ligou e disse que estava pensando em faltar à aula. Mas o convenci a ir.
      Foram para o sofá. Os beijos não paravam. Trocaram carícias quentes e intensas. Logo, loucos de desejo, ambos foram se desvencilhando de suas roupas. Amaram-se, trocaram juras de amor e extasiaram-se num ato sexual ardente. Após, tomaram banho juntos. Deitaram na cama e ficaram conversando, fazendo planos. Ele sempre dizendo que precisavam ficar juntos, que se amavam. Ela, repetindo, como sempre.
      -Não posso me separar, Antonio é muito dependente de mim, tenho pena dele. Ainda não tenho coragem, meu amor, quem sabe um dia.
      -Mas, eu amo tanto você e sei que me ama. Podemos recomeçar...Ninguém pode ficar com alguém que não ama só por pena.
      -Eu sei, meu amor. Amo você também.
      Ela olhou para o telefone celular, este mostrou que já eram 22 horas.
      -Temos mais uns 40 minutos e aí preciso ir. Não queria, mas preciso.
      -Eu sei- disse ele e completou: até quando aguentaremos.
      -Não sei, ela sentenciou.
     Foram para cozinha, comeram alguma coisa e Adriana voltou para o quarto e terminou de se vestir. Carlos foi atrás dela. Pontualmente, às 22 horas e 40 minutos, ela disse que precisava ir, voltar para casa, porque logo Antonio chegaria. Ele a levou até a porta e depois de beijos apaixonados, ela se foi. Carlos sabia que um novo encontro com sua paixão só ocorreria quando ela quisesse, já haviam combinado isso. Ele fechou a porta, sentou- se no sofá, e o que lhe restou, naquele momento, era o perfume, o sofá bagunçado, a cama em desalinho e uma toalha molhada. Mas, tinha ainda, a esperança de ela decidir ficar com ele para sempre, abandonar Antonio e vir morar ali, dividir a vida com ele. 
    Adriana, satisfeita e realizada, voltou para seu apartamento. Estava feliz com o que tinha feito. Mais uma vez, havia conseguido. Estava tudo em ordem. Correu para a cozinha e preparou algo para Antonio comer, quando chegasse. Antonio, sua boa pedra no sapato, aquele que a entendia de verdade e que a completava como pessoa em tudo que faz uma mulher feliz, menos no sexo. Mas, isso, ela sabia como buscar fora do casamento. Ele era o homem que havia escolhido para viver a vida toda. Era trabalhador, honesto, divertido e, acima de tudo, fiel. Um homem para viver ao seu lado tinha que ser fiel, acima de qualquer suspeita. Era uma mulher muito ciumenta, mas Antonio nunca lhe deu motivos e nunca lhe daria para que sofresse com isso. Ela tinha certeza. Colocou uma música a tocar. Arrumou a mesa e fez uns sanduíches. Logo seu amado esposo chegaria. Já não pensava mais em Carlos, até ali estava satisfeita. E isso lhe bastava. Quem é Carlos? Foi servida, como foi por Paulo, Marcos, Sandro...
    Antonio chega ao prédio louco para estar com sua esposa. Já no elevador, olha para o espelho e vê que em seu pescoço há algo revelador, uma pequena mancha de batom. Limpa e pensa...Nossa que vacilo, ainda bem que vi...