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domingo, 26 de maio de 2013

Um Outro Olhar da Evolução

Conto 3



Um Outro Olhar da Evolução



      Há milhares de anos. A nave Soyos 10 chega no terceiro planeta deste sistema solar. Kael olha e vê uma pequena esfera azul. Achou este pequeno planeta lindo, muito semelhante ao seu. Há alguns anos, estava, juntamente com sua tripulação, viajando pelo espaço. Sua missão era chegar naquele lugar, certificar a existência de vida, a possibilidade de seu povo explorar e obter o que necessitavam. Seu povo sabia da existência deste lugar há muito tempo. Ele fora incumbido de comandar esta nova expedição. Determinou que seu imediato Jaehl orbitasse esta esfera e coletasse dados do local. Era preciso confirmar se Soyos 1 havia cumprido sua missão, há cerca de mil anos antes. Uma arma poderosa de sua civilização fora usada, antes daquela missão. Foi preciso destruir as criaturas gigantescas que habitavam este planeta e impossibilitaram a exploração. Quando o conselho e os cientistas de seu mundo concluíram que uma exploração neste planeta era segura e necessária, determinaram aquela missão. Sentou e continuou sua admiração. A torre de comando estava agitada. Logo uma pequena parcela de sua tripulação deveria descer. Tinha ao seu comando trezentos tripulantes, entre cientistas, operários e militares. A nave havia sido estabilizada naquela órbita. Dados começaram a serem coletados. Kael começou a interpretar estes dados e tomar ciência da atmosfera. Havia lá oxigênio, tão essencial, água e sinais de vidas, muitos seres por lá andavam. Tudo parecia estar como esperado. Nada daquelas criaturas ameaçadoras e maiores. Pelo visto a Soyo 1 cumpriu com êxito sua missão. Determinou que Mika preparasse a missão de reconhecimento. Ele saiu da torre de comando e foi fazer cumprir a ordem de Kael. Há muito tempo, sua civilização viajava pelos confins do universo. Cientistas iriam descer ao planeta e analisar sua superfície e formas de vidas. Havia a certeza de que ouro, o principal interesse deles, havia naquele lugar, além de outros metais. Sua tripulação teria condições de explorar, catalogar as espécies. A atmosfera era muito parecida com a de seu planeta. O ar era respirável.


      Algum tempo depois, a primeira nave piramidal com cientistas, entre estes Akin, e um pequeno pelotão de soldados, decolou da nave mãe, avançando para o Planeta Azul. Após um voo de reconhecimento da superfície, ela pousou entre dois rios. Quatro pequenos veículos saíram com oito tripulantes cada. Foram avistados por eles várias formas de vida. Uma gerou interesse maior. Foi avistado um bando de seres, que lembravam suas formas, braços, pernas, e andavam quase eretos. Eram menores, pois os exploradores tinham a altura média acima de dois metros. Akin, que estava no carro 1, chamou a nave pelo sistema de comunicação. Ela descreveu para Kael estas criaturas. Deus realmente reina no universo, precisamos de uma para estudo, pediu para o comandante. Ok, matem uma e a estudem, mas apenas uma. Capturar uma viva é arriscado, determinou Kael. O veiculo 1 parou e um soldado desceu. Um tiro certeiro derrubou uma do bando. Dois soldados foram buscá-la. O restante daqueles seres correram para a vegetação. O veículo 2 relatou que havia chegado ao pé de uma montanha e ali havia sido detectado ouro. Todos retornaram à nave piramidal. Lá, foi passado para a nave mãe dados coletados e a descrição do que haviam visto. A criatura morta foi examinada por Akin, cientista biológica da missão. Ela viu que era uma do sexo masculino. Coletou sangue e amostras de DNA, e fez um exame interno deste ser. Ficou extasiada com o que descobriu. Outras naves piramidais chegaram, num total de dez, a maioria trazia trabalhadores e máquinas. Uma mina seria aberta naquela montanha, onde fora detectado ouro. Outros da equipe de Akin vieram junto.

      Akin, a qual conclusão chegaste a respeito do ser estudado? Perguntou Kael. Akin olhou para a tela onde aparecia a imagem do comandante: este ser é incrível, parece muito com nossos ancestrais, como se nós tivéssemos a mesma origem. É claro, eles são primitivos. Se a evolução ocorrer aqui, como em nosso planeta, eles serão como nós daqui a milhares de anos. Possuem traços de DNA semelhantes ao nosso. Tomei conhecimento de que o Conselho determinou a transferência da base do quarto planeta para este, comentou Kael. E acrescentou, pelo visto nossa permanência neste mundo será maior do que a planejada. Vou transmitir os dados do ser que me enviaste para o conselho. Agradeço muito, quero permissão para mais estudo e quem sabe uma manipulação genética, um teste..., disse ela. Esperamos a decisão do Conselho. Eles não querem nossa interferência nas formas de vida deste planeta, só a exploração e coleta do que nos interessa, concluiu e desligou a comunicação. Akin saiu para fora, estava ansiosa. O ser era incrível. Era como se tivesse voltado no tempo, encontrado seu ancestral. Ela sempre acreditou que a vida havia surgido em um ponto único do universo e por ele se espalhado. Este não era o primeiro planeta, além do seu, em que foram encontrados seres viventes. Mas neste havia uma diferença. Havia um que parecia com o ancestral comum do seu povo. Além de haver um ar respirável, gravidade suportável. No local do pouso, estava sendo construída uma base. A exploração do ouro e de outros metais logo seria iniciada. Se a base do planeta vermelho fosse para cá transferida, como o comandante falou, teria muito tempo para estudar este ser mais a fundo, e quem sabe autorização para uma manipulação genética. Sabia que Kael estava fascinado com aquelas criaturas e, com certeza, o conselho também ficaria. Não se sabe onde tal estudo poderia chegar em termos de entendimento da origem deles próprios. Voltou para laboratório, reuniu sua equipe e continuaram a examinar a criatura.

      Lá longe, na órbita planetária, Kael estava intrigado. A descoberta daquele ser era algo a ser pensado. Não eram Deuses, apenas exploradores. Sabia que Akin era uma cientista determinada e competente e tinha em mãos a chance única de estudar seres tão parecidos geneticamente com eles. Naquele momento mesmo, outra nave do quarto planeta se deslocava para este. Em breve muitos de seu povo estariam depredando o Planeta Azul. Sua civilização evoluiu até ali, fisicamente, mentalmente e tecnologicamente. Há muito tempo haviam começado a exploração espacial. Estavam muito além das fronteiras de seu sistema solar. A Soyos 1 havia detonado uma arma poderosa naquele planeta, mas a vida persistiu, se adaptando e criando outros seres e um deles semelhante a eles. O sistema solar deste planeta era também semelhante ao de seu mundo. Kael, após informar ao Conselho de seu planeta a respeito da descoberta daqueles seres, resolveu falar com Akin. Chamou-a no sistema de comunicação. Logo, em um tela imensa, ela apareceu. Parecia estar ansiosa. Consultei o Conselho e experiências foram autorizadas nos seres, disse para ela. Isto é ótimo, quero combinar traços de nosso DNA em um destes seres. Acredito que com isso podemos acelerar a evolução deles. Quero capturar viva uma do sexo feminino e a fecundar no laboratório com um embrião híbrido. Acho que com isso teremos um ser mais inteligente e capaz. Pelo que apurei, até o momento, temos DNA semelhantes, traços idênticos, falou ela muito entusiasmada. Tudo bem, faça isso e me mantenha informado, concluiu Kael. Na base, Akin chamou o comandante da tropa militar e determinou a captura viva de um ser do sexo feminino. Entrou no laboratório e comunicou a boa nova para sua equipe.

      Alguns meses depois, contados no tempo de sol em que estavam. Akin continuava na sua experiência. Fora capturada uma fêmea saudável, que foi fecundada com um embrião híbrido. Uma gestação normal estava ocorrendo. O ouro estava sendo retirado, não só naquela base como em outras. Foram construídas, além dessa, cinco bases por outros lugares naquele planeta. Kael, de vez em quando, descia até o planeta e se maravilhava com o lugar. Percorria todas as instalações e o progresso da extração do ouro. A natureza ali era exuberante. Formas nunca vistas ou imaginadas de vida habitavam aquele lugar. Robôs autônomos percorriam todos os diversos habitats e transmitiam imagens incríveis. Quando a fêmea deu cria, Kael estava presente. Akin queria, a partir das células deste menino, criar uma fêmea. Tudo ocorria conforme deveria ser. Akin pretendia isolar uma parte da selva que circundava a base e ali fazer um viveiro para a cria e sua mãe. Ela queria estudar e monitorar os dois em um habitat natural. Planos para isso foram traçados. O Conselho era informado de tudo que acontecia. Akin não se cansava de elogiar a conclusão de seu experimento. Ela acreditava que aquele pequeno ser iria transmitir aos descendentes traços de DNA do povo dela. A evolução dali para frente iria dar um pulo evolutivo incrível. Com certeza, segundo ela afirmava, aqueles seres dominarão as outras formas de vida e aquele planeta.

      Alguns anos solares depois. O menino híbrido cresceu e foi monitorado seu desenvolvimento. Akin passou a chamá- lo Adão. Mesmo nome pelo qual era chamado o primeiro de sua espécie no planeta dela. Adão andava mais ereto, seu cérebro era maior, era hábil com as mãos. Akin, então, precisava partir para a segunda fase. Queria, a partir de algumas células dele e, por que não, de algumas suas, criar a fêmea. Vai ser chamar Eva, decidiu ela, assim como a primeira de sua espécie. E este procedimento foi feito. Conversou com Kael e um pequeno exército foi disponibilizado para que Akin fosse à caça de uma fêmea apta à inseminação. Sabia de um grupo de hominídeos que vivia nas proximidades. Ela decidira chamar aqueles seres de hominídeos. Saíram , assim, à caça. Ao cercarem o grupo dos seres, Akin determinou que muitas fêmeas fossem mobilizadas. Ela e sua equipe precisavam analisar uma por uma. Cerca de vinte foram anestesiadas pelos soldados, todas jovens e saudáveis, dirá Akin depois. Uma a uma foram trazidas até o veículo expedicionário e laboratório. Após um dia daquele sol, elas foram examinadas e uma escolhida para ser levada à base. A que geraria Eva. E assim foi feito. Alguns meses depois, nasceu Eva, a companheira de Adão. Foram cercados três quilômetros de floresta com um córrego de água. Árvores frutíferas foram ali plantadas também. Ivi, colega de Akin, disse que aquele cercado deveria ser chamado paraíso. Os seres extraterrestres sabiam e conheciam o significado de tal palavra. E assim foi chamado o lar do casal híbrido. Quando chegaram à idade de sobreviverem sozinhos, foram lá colocados e monitorados. Era preciso educá-los e acompanhar de perto o crescimento e desenvolvimento deles.


      A intenção de Akin, então, era não mais ter contato físico com Adão e Eva. Não queria que eles vissem nenhum membro da expedição. Um sistema de comunicação e câmeras foram no paraíso instaladas.Uma das naves já tinha regressado para o planeta de origem. Era um cargueiro com metais e outras coisas de interesse. Nessa nave seguiram membros de três bases, duas permaneceram e a nave de Akin continuava a orbitar. Kael estava desejoso de regressar para casa. Estavam neste planeta há vinte anos. Adão e Eva se adaptaram muito bem ao cercado. Akin não via a hora de eles procriarem. Quando podia, ela e sua equipe iam observar o bando de onde a mãe de Eva veio. Coletavam dados deste bando e os comparavam com os de Adão e Eva. As células de Akin fornecidas para a criação de Eva era o seu segredo. Sua criatura feminina tinha recebido a células de Adão e as suas, já modificadas. Com certeza, a cria deste casal será mais desenvolvida intelectualmente e mais parecida com sua raça, pensava Akin. Estava combinado com o Conselho que, após a partida de seu povo, Adão e Eva seriam liberados para habitarem o planeta. No cativeiro, nada faltava ao casal híbrido. Eles se davam muito bem. O fim da missão estava próximo. Kael havia lhe comunicado que em seis meses, no máximo, se daria a partida deles. Nos últimos meses, Adão e Eva eram trazidos desacordados ao laboratório da base. Eles eram colocados em aparelhos eletrônicos, onde recebiam, inconscientemente, informações. Era preciso que eles acreditassem que a criação deles ocorrera naturalmente, em um processo evolutivo normal.


      A hora da partida daquele planeta havia chegado. Das naves piramidais, que estavam na superfície do Planeta Azul, uma fora deixada para trás por apresentar defeito. Adão e Eva foram retirados do cercado e deixados nas proximidades do bando de onde viera a mãe desta. Akin e todos que estavam baseados no Planeta Azul retornaram à Soyos 10. Ela não saberia se suas criaturas seriam aceitas no bando e, nem mesmo, se ambos sobreviveriam dali para frente. Todos estavam em suas posições para a viagem de retorno. Akin foi até a torre de comando olhar, pela última vez, aquele planeta. Torcia para que Adão e Eva sobrevivessem e, a partir deles, um salto evolutivo ocorresse naquelas criaturas. Ela acelerou o processo, não as criou, pois tal criação era obra de Deus. Apenas contribuiu e adiantou os anos da evolução. Onde Eva e Adão estavam, nesta escala evolutiva, seriam milhares e milhares de anos. Se ali não tivessem chegado, se ela não tivesse manipulado geneticamente aquele casal, que gerarriam outros, e estes um numero maior, o processo evolutivo de tais seres ocorreria gradualmente e naturalmente. Aquele planeta, com certeza, encontrava- se no mesmo tempo em que o seu um dia esteve, no começo de tudo. Perguntou para Kael se um dia seu povo voltaria ao Planeta Azul. Ele a olhou e respondeu, com certeza, outros de nós retornarão. Desde que aprendemos a dominar a viagem espacial, para nós o retorno será inevitável. Iremos acompanhar a evolução deste mundo tão igual ao nosso. Aprenderemos muito da evolução do nosso com este planeta irmão. Akin, quando foi encontrar uma fêmea para ser a mãe de Eva, e examinou vinte daquele bando, o que só ela e sua equipe sabiam...é que todas foram fertilizadas com embriões criados no laboratório. Ela se perguntava, se a criação e evolução de seu povo não ocorrera também por modificação genética. Kael determinou que seu imediato, Mika, programasse a nave para o retorno para o planeta de onde vieram. Este planeta se chama TERRA. A nave piramidal deixada após os exploradores retornarem à Soyos 10, que foi cercada pelo bando de hominídeos , do qual o casal híbrido deveria fazer parte. Eles estavam curiosos daquele objeto, que seria por muito tempo venerado por eles. A partida das outras naves foi observada por Adão, Eva e outros vinte seres híbridos com uma atenção maior.

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