Conto 3
Um Outro Olhar da Evolução
Há milhares de anos. A
nave Soyos 10 chega no terceiro planeta deste sistema solar. Kael
olha e vê uma pequena esfera azul. Achou este pequeno planeta lindo,
muito semelhante ao seu. Há alguns anos, estava, juntamente com sua
tripulação, viajando pelo espaço. Sua missão era chegar naquele
lugar, certificar a existência de vida, a possibilidade de seu povo
explorar e obter o que necessitavam. Seu povo sabia da existência
deste lugar há muito tempo. Ele fora incumbido de comandar esta nova
expedição. Determinou que seu imediato Jaehl orbitasse esta esfera
e coletasse dados do local. Era preciso confirmar se Soyos 1 havia
cumprido sua missão, há cerca de mil anos antes. Uma arma poderosa
de sua civilização fora usada, antes daquela missão. Foi preciso
destruir as criaturas gigantescas que habitavam este planeta e
impossibilitaram a exploração. Quando o conselho e os cientistas de
seu mundo concluíram que uma exploração neste planeta era segura e
necessária, determinaram aquela missão. Sentou e continuou sua
admiração. A torre de comando estava agitada. Logo uma pequena
parcela de sua tripulação deveria descer. Tinha ao seu comando
trezentos tripulantes, entre cientistas, operários e militares. A
nave havia sido estabilizada naquela órbita. Dados começaram a
serem coletados. Kael começou a interpretar estes dados e tomar
ciência da atmosfera. Havia lá oxigênio, tão essencial, água e
sinais de vidas, muitos seres por lá andavam. Tudo parecia estar
como esperado. Nada daquelas criaturas ameaçadoras e maiores. Pelo
visto a Soyo 1 cumpriu com êxito sua missão. Determinou que Mika
preparasse a missão de reconhecimento. Ele saiu da torre de comando
e foi fazer cumprir a ordem de Kael. Há muito tempo, sua civilização
viajava pelos confins do universo. Cientistas iriam descer ao planeta
e analisar sua superfície e formas de vidas. Havia a certeza de que
ouro, o principal interesse deles, havia naquele lugar, além de
outros metais. Sua tripulação teria condições de explorar,
catalogar as espécies. A atmosfera era muito parecida com a de seu
planeta. O ar era respirável.
Algum tempo depois, a
primeira nave piramidal com cientistas, entre estes Akin, e um
pequeno pelotão de soldados, decolou da nave mãe, avançando para o
Planeta Azul. Após um voo de reconhecimento da superfície, ela
pousou entre dois rios. Quatro pequenos veículos saíram com oito
tripulantes cada. Foram avistados por eles várias formas de vida.
Uma gerou interesse maior. Foi avistado um bando de seres, que
lembravam suas formas, braços, pernas, e andavam quase eretos. Eram
menores, pois os exploradores tinham a altura média acima de dois
metros. Akin, que estava no carro 1, chamou a nave pelo sistema de
comunicação. Ela descreveu para Kael estas criaturas. Deus
realmente reina no universo, precisamos de uma para estudo, pediu
para o comandante. Ok, matem uma e a estudem, mas apenas uma.
Capturar uma viva é arriscado, determinou Kael. O veiculo 1 parou e
um soldado desceu. Um tiro certeiro derrubou uma do bando. Dois
soldados foram buscá-la. O restante daqueles seres correram para a
vegetação. O veículo 2 relatou que havia chegado ao pé de uma
montanha e ali havia sido detectado ouro. Todos retornaram à nave
piramidal. Lá, foi passado para a nave mãe dados coletados e a
descrição do que haviam visto. A criatura morta foi examinada por
Akin, cientista biológica da missão. Ela viu que era uma do sexo
masculino. Coletou sangue e amostras de DNA, e fez um exame interno
deste ser. Ficou extasiada com o que descobriu. Outras naves
piramidais chegaram, num total de dez, a maioria trazia trabalhadores
e máquinas. Uma mina seria aberta naquela montanha, onde fora
detectado ouro. Outros da equipe de Akin vieram junto.
Akin, a qual conclusão
chegaste a respeito do ser estudado? Perguntou Kael. Akin olhou para
a tela onde aparecia a imagem do comandante: este ser é incrível,
parece muito com nossos ancestrais, como se nós tivéssemos a mesma
origem. É claro, eles são primitivos. Se a evolução ocorrer
aqui, como em nosso planeta, eles serão como nós daqui a milhares
de anos. Possuem traços de DNA semelhantes ao nosso. Tomei
conhecimento de que o Conselho determinou a transferência da base do
quarto planeta para este, comentou Kael. E acrescentou, pelo visto
nossa permanência neste mundo será maior do que a planejada. Vou
transmitir os dados do ser que me enviaste para o conselho. Agradeço
muito, quero permissão para mais estudo e quem sabe uma manipulação
genética, um teste..., disse ela. Esperamos a decisão do Conselho.
Eles não querem nossa interferência nas formas de vida deste
planeta, só a exploração e coleta do que nos interessa, concluiu e
desligou a comunicação. Akin saiu para fora, estava ansiosa. O ser
era incrível. Era como se tivesse voltado no tempo, encontrado seu
ancestral. Ela sempre acreditou que a vida havia surgido em um ponto
único do universo e por ele se espalhado. Este não era o primeiro
planeta, além do seu, em que foram encontrados seres viventes. Mas
neste havia uma diferença. Havia um que parecia com o ancestral
comum do seu povo. Além de haver um ar respirável, gravidade
suportável. No local do pouso, estava sendo construída uma base. A
exploração do ouro e de outros metais logo seria iniciada. Se a
base do planeta vermelho fosse para cá transferida, como o
comandante falou, teria muito tempo para estudar este ser mais a
fundo, e quem sabe autorização para uma manipulação genética.
Sabia que Kael estava fascinado com aquelas criaturas e, com certeza,
o conselho também ficaria. Não se sabe onde tal estudo poderia
chegar em termos de entendimento da origem deles próprios. Voltou
para laboratório, reuniu sua equipe e continuaram a examinar a
criatura.
Lá longe, na órbita
planetária, Kael estava intrigado. A descoberta daquele ser era algo
a ser pensado. Não eram Deuses, apenas exploradores. Sabia que Akin
era uma cientista determinada e competente e tinha em mãos a chance
única de estudar seres tão parecidos geneticamente com eles.
Naquele momento mesmo, outra nave do quarto planeta se deslocava para
este. Em breve muitos de seu povo estariam depredando o Planeta Azul.
Sua civilização evoluiu até ali, fisicamente, mentalmente e
tecnologicamente. Há muito tempo haviam começado a exploração
espacial. Estavam muito além das fronteiras de seu sistema solar. A
Soyos 1 havia detonado uma arma poderosa naquele planeta, mas a vida
persistiu, se adaptando e criando outros seres e um deles semelhante
a eles. O sistema solar deste planeta era também semelhante ao de
seu mundo. Kael, após informar ao Conselho de seu planeta a
respeito da descoberta daqueles seres, resolveu falar com Akin.
Chamou-a no sistema de comunicação. Logo, em um tela imensa, ela
apareceu. Parecia estar ansiosa. Consultei o Conselho e experiências
foram autorizadas nos seres, disse para ela. Isto é ótimo, quero
combinar traços de nosso DNA em um destes seres. Acredito que com
isso podemos acelerar a evolução deles. Quero capturar viva uma do
sexo feminino e a fecundar no laboratório com um embrião híbrido.
Acho que com isso teremos um ser mais inteligente e capaz. Pelo que
apurei, até o momento, temos DNA semelhantes, traços idênticos,
falou ela muito entusiasmada. Tudo bem, faça isso e me mantenha
informado, concluiu Kael. Na base, Akin chamou o comandante da tropa
militar e determinou a captura viva de um ser do sexo feminino.
Entrou no laboratório e comunicou a boa nova para sua equipe.
Alguns meses depois,
contados no tempo de sol em que estavam. Akin continuava na sua
experiência. Fora capturada uma fêmea saudável, que foi fecundada
com um embrião híbrido. Uma gestação normal estava ocorrendo. O
ouro estava sendo retirado, não só naquela base como em outras.
Foram construídas, além dessa, cinco bases por outros lugares
naquele planeta. Kael, de vez em quando, descia até o planeta e se
maravilhava com o lugar. Percorria todas as instalações e o
progresso da extração do ouro. A natureza ali era exuberante.
Formas nunca vistas ou imaginadas de vida habitavam aquele lugar.
Robôs autônomos percorriam todos os diversos habitats e transmitiam
imagens incríveis. Quando a fêmea deu cria, Kael estava presente.
Akin queria, a partir das células deste menino, criar uma fêmea.
Tudo ocorria conforme deveria ser. Akin pretendia isolar uma parte da
selva que circundava a base e ali fazer um viveiro para a cria e sua
mãe. Ela queria estudar e monitorar os dois em um habitat natural.
Planos para isso foram traçados. O Conselho era informado de tudo
que acontecia. Akin não se cansava de elogiar a conclusão de seu
experimento. Ela acreditava que aquele pequeno ser iria transmitir
aos descendentes traços de DNA do povo dela. A evolução dali para
frente iria dar um pulo evolutivo incrível. Com certeza, segundo ela
afirmava, aqueles seres dominarão as outras formas de vida e aquele
planeta.
Alguns anos solares
depois. O menino híbrido cresceu e foi monitorado seu
desenvolvimento. Akin passou a chamá- lo Adão. Mesmo nome pelo qual
era chamado o primeiro de sua espécie no planeta dela. Adão andava
mais ereto, seu cérebro era maior, era hábil com as mãos. Akin,
então, precisava partir para a segunda fase. Queria, a partir de
algumas células dele e, por que não, de algumas suas, criar a
fêmea. Vai ser chamar Eva, decidiu ela, assim como a primeira de sua
espécie. E este procedimento foi feito. Conversou com Kael e um
pequeno exército foi disponibilizado para que Akin fosse à caça de
uma fêmea apta à inseminação. Sabia de um grupo de hominídeos
que vivia nas proximidades. Ela decidira chamar aqueles seres de
hominídeos. Saíram , assim, à caça. Ao cercarem o grupo dos
seres, Akin determinou que muitas fêmeas fossem mobilizadas. Ela e
sua equipe precisavam analisar uma por uma. Cerca de vinte foram
anestesiadas pelos soldados, todas jovens e saudáveis, dirá Akin
depois. Uma a uma foram trazidas até o veículo expedicionário e
laboratório. Após um dia daquele sol, elas foram examinadas e uma
escolhida para ser levada à base. A que geraria Eva. E assim foi
feito. Alguns meses depois, nasceu Eva, a companheira de Adão. Foram
cercados três quilômetros de floresta com um córrego de água.
Árvores frutíferas foram ali plantadas também. Ivi, colega de
Akin, disse que aquele cercado deveria ser chamado paraíso. Os seres
extraterrestres sabiam e conheciam o significado de tal palavra. E
assim foi chamado o lar do casal híbrido. Quando chegaram à idade
de sobreviverem sozinhos, foram lá colocados e monitorados. Era
preciso educá-los e acompanhar de perto o crescimento e
desenvolvimento deles.
A intenção de Akin,
então, era não mais ter contato físico com Adão e Eva. Não
queria que eles vissem nenhum membro da expedição. Um sistema de
comunicação e câmeras foram no paraíso instaladas.Uma das naves
já tinha regressado para o planeta de origem. Era um cargueiro com
metais e outras coisas de interesse. Nessa nave seguiram membros de
três bases, duas permaneceram e a nave de Akin continuava a orbitar.
Kael estava desejoso de regressar para casa. Estavam neste planeta há
vinte anos. Adão e Eva se adaptaram muito bem ao cercado. Akin não
via a hora de eles procriarem. Quando podia, ela e sua equipe iam
observar o bando de onde a mãe de Eva veio. Coletavam dados deste
bando e os comparavam com os de Adão e Eva. As células de Akin
fornecidas para a criação de Eva era o seu segredo. Sua criatura
feminina tinha recebido a células de Adão e as suas, já
modificadas. Com certeza, a cria deste casal será mais desenvolvida
intelectualmente e mais parecida com sua raça, pensava Akin. Estava
combinado com o Conselho que, após a partida de seu povo, Adão e
Eva seriam liberados para habitarem o planeta. No cativeiro, nada
faltava ao casal híbrido. Eles se davam muito bem. O fim da missão
estava próximo. Kael havia lhe comunicado que em seis meses, no
máximo, se daria a partida deles. Nos últimos meses, Adão e Eva
eram trazidos desacordados ao laboratório da base. Eles eram
colocados em aparelhos eletrônicos, onde recebiam,
inconscientemente, informações. Era preciso que eles acreditassem
que a criação deles ocorrera naturalmente, em um processo evolutivo
normal.
A hora da partida
daquele planeta havia chegado. Das naves piramidais, que estavam na
superfície do Planeta Azul, uma fora deixada para trás por
apresentar defeito. Adão e Eva foram retirados do cercado e deixados
nas proximidades do bando de onde viera a mãe desta. Akin e todos
que estavam baseados no Planeta Azul retornaram à Soyos 10. Ela não
saberia se suas criaturas seriam aceitas no bando e, nem mesmo, se
ambos sobreviveriam dali para frente. Todos estavam em suas posições
para a viagem de retorno. Akin foi até a torre de comando olhar,
pela última vez, aquele planeta. Torcia para que Adão e Eva
sobrevivessem e, a partir deles, um salto evolutivo ocorresse
naquelas criaturas. Ela acelerou o processo, não as criou, pois tal
criação era obra de Deus. Apenas contribuiu e adiantou os anos da
evolução. Onde Eva e Adão estavam, nesta escala evolutiva, seriam
milhares e milhares de anos. Se ali não tivessem chegado, se ela não
tivesse manipulado geneticamente aquele casal, que gerarriam outros,
e estes um numero maior, o processo evolutivo de tais seres ocorreria
gradualmente e naturalmente. Aquele planeta, com certeza, encontrava-
se no mesmo tempo em que o seu um dia esteve, no começo de tudo.
Perguntou para Kael se um dia seu povo voltaria ao Planeta Azul. Ele
a olhou e respondeu, com certeza, outros de nós retornarão. Desde
que aprendemos a dominar a viagem espacial, para nós o retorno será
inevitável. Iremos acompanhar a evolução deste mundo tão igual ao
nosso. Aprenderemos muito da evolução do nosso com este planeta
irmão. Akin, quando foi encontrar uma fêmea para ser a mãe de Eva,
e examinou vinte daquele bando, o que só ela e sua equipe
sabiam...é que todas foram fertilizadas com embriões criados no
laboratório. Ela se perguntava, se a criação e evolução de seu
povo não ocorrera também por modificação genética. Kael
determinou que seu imediato, Mika, programasse a nave para o retorno
para o planeta de onde vieram. Este planeta se chama TERRA. A nave
piramidal deixada após os exploradores retornarem à Soyos 10, que
foi cercada pelo bando de hominídeos , do qual o casal híbrido
deveria fazer parte. Eles estavam curiosos daquele objeto, que seria
por muito tempo venerado por eles. A partida das outras naves foi
observada por Adão, Eva e outros vinte seres híbridos com uma
atenção maior.
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